Postagens populares

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

UMA QUESTÃO DE INTERPRETAÇÃO

O “Carioca” levantou quando uma senhora que pesava aproximadamente 200 kilos se aproximou do carro dele.
Gentil e educadamente ele abriu a porta para que a senhora entrasse no banco de trás, deu a volta pela frente do veiculo e acomodou-se ao volante. Após amarrar-se ao cinto de segurança "Carioca" virou-se para trás e pediu com toda a delicadeza que a passageira se sentasse no meio do banco e a mesma ofendendo-se com a proposta perguntou se ele a estava chamando de gorda o que ele rapidamente desculpou-se alegando que não era essa a intenção.
Prosseguiu em silencio a curta viagem de pouco mais de 2 km até a casa da velha senhora que acabara de fazer suas compras no supermercado e levava para casa dois carrinhos cheios de mantimentos.
Ao chegar ao destino a passageira perguntando sobre o valor da corrida foi informada pelo “Carioca”, que mostrou uma tabela que tinha em mãos, que o valor seria acrescido de mais três reais devido aos dois carrinhos de compra, ao que ela protestou com veemência dizendo que aquilo era um roubo. “Carioca” tentou explicar usando de respeito e muita didática, mas a passageira não se conformava dizendo que ele além de chama-la de gorda ainda era um ladrão pois a estava roubando e que nunca mais pegaria o Taxi dele. Entretanto, o episódio não chegou a abalar nem um pouco as estruturas do "Carioca" pois com tanto tempo de atividade sempre encontrava este e tantos outros entreveros que é corriqueiro  no cotidiano destes profissionais.
Passado alguns dias, “Carioca”, após fazer uma corrida, dirigia-se ao seu ponto de origem quando a mesma senhora, na rua, esticou a mão pedindo um Taxi e ele prontamente freou junto a ela que o reconheceu e imediatamente recusou dizendo: Não, você não porque você é ladrão!

“Carioca” sorrindo continuou a sua viagem em direção ao ponto sob o olhar indignado da gorda senhora que o ofendia só porque acreditava ter sido alvo de discriminação.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

SAUDAÇÕES AOS TAXISTAS

“Os direitos e os deveres dos taxistas acabam de sair do papel para tomar as ruas brasileiras. Após sete anos em discussão no Congresso Nacional, a regulamentação da profissão foi publicada, no Diário oficial da União, depois de ter sido sancionada pela presidente Dilma Roussef. Finalmente os motoristas que forem empregados deverão ter a carteira de trabalho assinada e com todas as garantias trabalhistas.”

É claro que na teoria é visto dessa maneira, porém na prática, pouco se pode esperar...

Entretanto, não serão só os taxistas os beneficiados com a nova Lei pois espera-se destes uma melhor preparação para o trato com os passageiros, isto é, cursos de capacitação, presteza e cordialidade, além de zelo pelo veículo oferecendo condições adequadas de higiene para seus clientes.

Na opinião de Advogados Trabalhistas e Sindicatos a medida é um avanço para passageiros e motoristas. Cabe, portanto á população que denuncie os serviços prestados de forma equivocada e aqueles profissionais que não agirem de acordo com a lei, como também caberá ás Prefeituras a fiscalização e que crie condições para ouvir denuncias de irregularidades.

A atenção aos maus profissionais que abusam do serviço querendo impor suas próprias cobranças e a segurança destes profissionais com relação á passageiros mal intencionados deve ter a iniciativa do poder público municipal e órgão de classe que devem criar instrumentos necessários para coibir abusos e conter os acontecimentos indesejados como assaltos e outros riscos inerentes á profissão

— Já peguei veículos de todos os tipos, sem o adesivo regulamentar, sujos, em péssimas condições de higiene e com os taxistas totalmente despreparados para exercer o ofício. Acredito que com a fiscalização a gente possa confiar mais nesse tipo de transporte. – Comentou Jaqueline, estudante universitária que utiliza sempre o serviço.

E em virtude disso hoje eu faço essa postagem, para lembrar que no dia 1º de Dezembro todos os Taxis rodam com Bandeira 2 para contemplar, com esta iniciativa, o 13º Salário dos Taxistas. Se é polemica ou não a medida, deixo para que cada um reflita. Como Taxista já tenho a minha opinião formada e desejo que cada um exerça o seu direito incondicional de crítica e de sugestões. Aliás, no ensejo quero também desejar á todos os meus colegas Taxistas e aos clientes que sempre me dão a preferencia e se deslocam de casa ao trabalho, passeios, eventos e tantos outros destinos mais; também àqueles eventuais companheiros de viagem,

UM FELIZ NATAL E UM 2012 CHEIO DE PAZ, HARMONIA E PROSPERIDADE.

QUE O PAI SEJA SEMPRE BONDOSO E TENHA COMPAIXÃO DE TODOS NÓS!

domingo, 20 de novembro de 2011

DEFORMADORES DE OPINIÃO

Quando abri o jornal neste domingo deparei com uma matéria com as seguintes indagações: “Você é ético?” Á seguir fazia algumas afirmações que sugeriam que ”a corrupção está nos pequenos atos do dia a dia” do cidadão como, no exemplo dado, “comprar CD e DVD piratas”. Daí lamento profundamente, muito embora eu já conheça bem a qualidade das matérias nestes jornalecos de aluguel, a oportunidade de mais uma vez se dar a população uma informação mais séria, mais adequada e mais independente. Portanto, infelizmente eu só confirmei o quanto se arrasta pelos corredores de Universidades a irresponsabilidade implantada nas cabeças dos calouros e aprendizes de jornalistas que são cada vez mais reféns de interesses de grupos governantes que fazem questão de monopolizar pensamentos e  atitudes; ditarem regras e comportamentos como se as redes de tevê e outros segmentos mais da “desinformação oficial” fossem os verdadeiros transmissores da ética e do bom comportamento ou quiçá os deuses da salvação do mundo, os redentores da Sociedade. O que achei engraçado foi que justamente no dia anterior eu havia escrito um texto para postar em meu blog sobre esse tema. No texto eu chamo a atenção de pessoas que gostam de achincalhar os outros que compram aparelhos de telefone em lojas que não são de shoppings ou aquelas que enchem a cabeça do consumidor com propagandas exóticas de gostos também esdrúxulos para insinuarem que os seus produtos é que são originais e verdadeiros. Dizem que os aparelhos adquiridos de outras fontes que não as suas, são aparelhos “Xing lings”, “genéricos”, “tabajaras” etc. bem como a questão dos CDs e DVDs comprados nos camelôs, nas praças, e em mãos de outros (até que se prove o contrário) trabalhadores, cujo material é visto como “pirata” que também é um termo criado pela indústria fonográfica que explora o trabalho artístico de tantos profissionais e, na ganancia de querer ganhar sempre mais, não aceita dividir o bolo com ninguém. E á estes concorrentes, esses “poderosos” criam termos preconceituosos e inventam contra eles certas ideologias para desviarem a atenção de suas hipócritas, asquerosas e más intenções. E ainda conseguem meio á opinião pública, quem acredite.

O autor da pobre e infeliz matéria, que insisto, poderia ser de melhor serventia para a cultura de gerações vindouras como os próprios filhos e netos deste, utilizou discursos de Diplomatas e Filósofos para acrescentar conceitos e valores ineficazes e contraditórios deixando claro e perceptível o compromisso destes com a desinformação e a incompetência em tratar de assuntos de forma e de opiniões tão submissas quanto ridículas. Não consegui ver ou entender nada mais do que uma inconsequente responsabilidade e uma grande incoerência na matéria do jornalista e nos relatos dos senhores doutores que talvez pensem terem “abrilhantado” o infeliz discurso.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               

Em suma, a pior forma de corrupção pode ser a aceitação de valores materiais em detrimento dos valores morais. Portanto aceitar pagamento por uma matéria que vai se tornar publica pode ser um crime. Bem como desviar o verdadeiro sentido do conhecimento através da informação, deturpando os conceitos e agindo como “deformadores” de opinião.

domingo, 13 de novembro de 2011

VÀ DE TAXI

  • Tenha sempre em mãos o nº de TAXI de sua preferencia
  • Ao pedir TAXI faça com antecedência e, se pegar aleatoriamente, observe a procedência.
  • A Segurança no TAXI está em saber com quem vai andar (Usuário) e com quem está andando (Taxista)
  • No taxi, se notar ou desconfiar de alguma coisa errada com o passageiro, negue a corrida. Isso é direito, estabelecido por lei. 

“Cuidado! Não permita que seu taxi seja igual casa noturna onde entra qualquer vagabundo.”

Na praça existem muitas histórias que acabam servindo como alertas para os próprios taxistas e principalmente aos usuários. Na verdade, além de servirem de terapeutas, psicólogos, psicanalistas e até psiquiatras, o taxista também é um pedagogo utilizando de didática em suas colocações para que o público não crie o estereótipo de motoristas que geralmente são vistos como ignorantes subservientes ou qualquer outro conceito precipitado que se tenha deste profissional.
  É nesse sentido que surge a ideia de narrar aqui algumas interessantes passagens do dia a dia de um Taxista. Exemplos que são aprendizados para este profissional que deve ser além de ético, muito responsável, cordial e, sobretudo humano, pois a relação interpessoal é o maior desafio da humanidade nos dias atuais
INVASÃO CLANDESTINA
Em algumas cidades existe o problema de Taxistas que não dão a devida assistência á seus pontos de origem e insistem em invadir outras praças. É comum ver Taxis de cidades vizinhas rondando ou até mesmo parando em pontos de outros. Em certos municípios, alguns Prefeitos declararam guerra a estes profissionais sem escrúpulos e deram prerrogativas á guarda municipal para que junto á polícia militar façam abordagens periódicas e até rebocassem os veículos pegos em exercício irregular e de forma ilegal. Portanto, nem todos os municípios atinam para o problema e outros até são coniventes ou se acovardam fazendo vistas grossas para o assunto. E assim, fica prejudicado o profissional que trabalha com honestidade e brio e também corre perigo o cidadão que utiliza esse tipo de transporte para se locomover.
 
Certo dia um amigo de ponto pediu que eu atendesse ao telefone onde um senhor procurava pelo taxi que havia pegado e deixado dentro do mesmo os seus óculos. Perguntei ao mesmo se ele sabia como era o motorista que o atendera e se era realmente deste ponto, o que o cidadão me respondeu que pegou o taxi na rua assim que desceu do prédio onde morava, mas julgava que o veiculo fosse da frota dos taxis de nossa cidade.  Fi-lo ver que pegar taxi sem referencia é assumir os riscos e que como orientação e, não conselhos, alertei para que ele chamasse sempre um taxi no ponto ou, se preferisse tivesse sempre consigo um número de um ou dois taxistas de sua confiança, pois assim teria além de segurança uma referencia e nessa proporção garantiria ao taxista o mesmo. Entretanto, eu não podia fazer muita coisa por ele. Reconheceu e agradeceu pela dica sabendo que teria que amargar a perda dos óculos que ganhara de sua filha, cujo valor sentimental era incomensurável.   Noutra ocasião ouvi um comentário que dava conta de que uma senhora saiu á porta do supermercado e pegou um taxi que parou ao vê-la empurrar um carrinho cheio de compras em direção á calçada. O veiculo parou e o motorista ofereceu seus préstimos, o que a senhora totalmente desavisada aceitou sem atentar para qualquer situação. Resultado: ao parar em frente á casa ela pediu que o motorista aguardasse enquanto ela abriria o portão da garagem de casa. Saiu do carro e se dirigiu ao portão ao mesmo tempo em que o motorista, que não havia desligado o carro, arrancou e foi embora com toda a compra do mês daquela “inocente” senhora.
Taxi clandestino, veículos com placas clonadas, carros descaracterizados e motoristas sem credenciais são uma realidade, portanto, a comunidade não pode viver eternamente acreditando que tudo não passa de um sonho e que estar refém do mal é somente uma condição para quem não consegue sonhar.

PASSOS DO PASSADO

Quando a moça entrou no meu carro começou logo a falar do nome do outro motorista que a havia levado ao hospital no dia anterior. Contestava sobre o nome que eu dizia que não seria o mesmo que ela lembrava, porem, ela insistia apesar de titubear e considerar que talvez pudesse estar enganada, muito embora achasse que não.
De repente calou e logo ouvi que conversava com alguém. Mirei pelo retrovisor e concluí que falava ao telefone.
-... Então ele já chegou? – tá bem, em dez minutos tô chegando aí. Beijo

Desligou o celular e começou a falar sobre o dilema de sua amiga, que havia se internado para uma cirurgia, a qual, ela seria a instrumentadora. Era formada em Enfermagem, com pós-graduação e mestrado em cirurgia cardiológica. Tinha um pouco mais de 30 anos, mas em sua história de vida havia letras e frases em páginas tão pesadas quanto um terrível fardo  carregado em ombros vividos por vários séculos ou milênios. A sua figura era franzina, um rosto juvenil com contornos de uma maçã. A estatura era mediana e a voz quase suave não escondia a ânsia de uma loquacidade que parecia ser o único sintoma de desiquilíbrio entre sua mente e seu corpo disfarçadamente doentio.
- essa nossa profissão é muita desgastante... – concluiu abrindo a bolsa e guardando o celular.
 Fiz sinal com a cabeça que sim.
... Sinto não ter me dedicado tanto quanto queria. Tive oportunidades mil e cada uma melhor que a outra. Acredita você que ganhei tanto dinheiro que você nem imagina, mas tive um “santo” marido e, por causa dele... cadê todo o meu dinheiro? Perdi todo ele junto com as minhas duas únicas filhas.
Havia amargura nestas ultimas palavras, porem notei uma forte resignação em tudo que havia dito e resolvi ajuda-la no seu possível desabafo.

... Ainda bem que ele não sobreviveu á catástrofe, se não, não sei o que faria com ele diante de tanta traição. Embora eu tenha perdido duas filhas num acidente em que ele foi junto mas eu não sei como seria... o infeliz dizia que aplicava todo o meu dinheiro e eu não tinha tempo sequer de comprovar em quê e nem procurava saber pois os trabalhos eram tantos que ás vezes entrava pele manhã num hospital instrumentando uma cirurgia, daí passava prá outra que qdo dava por conta já era tarde da noite ou até madrugada do outro. E, assim, o tempo que me sobrava era muito pouco. Você entende bem como é isso né? A Enfermagem passa mais tempo num hospital á cuidar de um paciente do que o próprio médico... E, por essa minha ausência nas coisas da família, não das minhas filhas que até hoje, depois de 8 anos, me fazem muita falta e ainda me causam um vazio muito grande. Entretanto, ainda tento superar tudo isso com as forças que Deus me proporciona. Você imagina que o cretino do meu marido tinha outra família com mulher e filhos. Portanto, daí eu descobri, depois dele morto, que era aí que ia todo o meu dinheiro que ele investia... Hoje eu vivo aí numa luta contra uma doença imunodepressora que já me causou problemas maiores, inclusive depois de toda essa catastrófica fase em que lhe falei, pois eu queria e tinha que voltar a trabalhar, mas era impedida. Acredite que com apenas 27 anos já fui obrigada a parar de trabalhar sendo aposentada pelo governo que insiste em alegar que sou uma “incapacitada”. É mole?! Quando fiz minha ultima inspeção médica tentei burlar o médico no sentido de que estava apta a voltar as minhas atividades pois precisava de alguma forma superar a fase negativa e conturbada que vivia mas o infeliz descobriu as manchas em meu corpo que condenavam a minha triste sina de abrigar em meu sistema imunológico uma bactéria rara a qual, vez ou outra me leva a uma eventual internação hospitalar. O médico quando descobriu que eu tentava disfarçar com roupas pesadas, de mangas compridas em pleno verão, rapidamente escreveu no papel um monte de coisas que assim que li voei pra cima dele e ele pediu aos seguranças que me tirassem do consultório. Nesse dia fui levada á força para o manicômio e o psiquiatra, depois que expliquei o porquê de estar ali, disse: “olha eu já vi casos aqui de agressão á médicos por não concordarem com a aposentadoria, agora, por conceder aposentadoria e o paciente não aceitar é a primeira vez. Vá, aqui não é lugar pra essa moça!”- disse e me mandou embora. E assim eu tive e tenho que me contentar com essa aposentadoria...

   O telefone tocou dentro da bolsa no momento em que eu estacionava o carro em frente á entrada principal do Hospital. Ela não atendeu, preferiu descer, pediu meu cartão e pagou a corrida se despedindo em seguida. Quando se afastava do carro enfiou a mão na bolsa e apanhou novamente o celular e pude vê-la ainda gesticular com leveza enquanto falava com alguém e tive a certeza que era mesmo assim que superava suas dores e revelava em si uma desculpa maior para os sintomas de uma patologia silenciosa que ela sufocava com os seus próprios ruídos.